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O perigo do HPV
Daniela Pessoa | 10/06/2009
Meninos e meninas estão começando a vida sexual cada vez mais cedo e, apesar de terem acesso a muita informação sobre sexo, alguns casais continuam pecando no básico: o não uso de preservativo. Antes de qualquer coisa: gente, camisinha sempre! OK, muita gente acha melhor deixar rolar sem, mas, quando a saúde está em jogo, todo cuidado é pouco. Cuidado, por sinal, que tem faltado por aí. Você sabia que uma em cada quatro adolescentes sexualmente ativas está contaminada pelo HPV, vírus transmitido na relação sexual e que pode causar câncer de colo de útero? Prevenção é tudo. Fique de olho!

HPV: o que é isso?

HPV é a sigla em inglês para “papiloma vírus humano”. Na verdade, são diversos tipos de vírus – uma verdadeira família – capazes de causar a mesma doença, sendo mais de 100 deles associados ao câncer de colo uterino, da vagina e da vulva.

“A maioria das infecções por HPV é transitória, sendo combatida espontaneamente pelo sistema imunológico, o sistema de defesa do nosso organismo, principalmente entre as mulheres mais jovens. No entanto, nem sempre os anticorpos produzidos pelo nosso corpo são suficientemente competentes para eliminar os vírus”, alerta a ginecologista Elisabeth Dobao.

A ginecologista Rosa Maria Neme completa: “Meninas que apresentam o HPV de alto risco podem desenvolver o câncer de colo do útero, apesar de ele ser raro na juventude”, destaca.

Estudos no mundo comprovam que 50% a 80% das mulheres sexualmente ativas serão infectadas por um ou mais tipos de HPV em algum momento de suas vidas. Mas, para você não fazer parte das estatística, cuide-se!

Como se pega?

O HPV é transmitido através das relações sexuais, bastando o contato entre a mucosas do pênis e da vagina ou mesmo da pele infectada. Quem pratica sexo oral também pode contrair a doença, apesar de, nessa situação, o contágio ser mais raro.

Dizem por aí que o HPV também pode ser transmitida por objetos pessoais íntimos, como toalhas, calcinhas, cuecas e biquínis de pessoas infectadas, mas, segundo a ginecologista Rosa Maria Neme, ainda não há nada provado quanto a esse tipo de contágio. Portanto, nada de pânico.

Os sintomas

O HPV é silencioso, ou seja, a maioria das infecções ocorre sem sintomas. O vírus pode ficar incubado e aparecer muitos anos depois. Fala-se de um tempo de incubação de aproximadamente 20 anos.

Quando os sintomas aparecem, são na região genital. “Verrugas genitais ou condilomas acuminados, popularmente conhecidos como 'crista de galo', são os sinais para a identificação da infecção por HPV”, afirma a médica Elisabeth Dobao.

No entanto, podem haver lesões subclínicas, ou seja, que não são vistas, e são justamente elas que podem progredir para o câncer do colo do útero caso não sejam tratadas precocemente. “Tais lesões têm manifestações discretas, como corrimentos de repetição, por exemplo”, explica Rosa Maria Neme.

Como descobrir se tenho HPV?

As verrugas encontradas na vulva, no ânus (em caso de sexo anal) ou em qualquer área da pele da menina podem ser diagnosticadas pelo exame clínico do médico, ou seja, a olho nu.

Já o diagnóstico das lesões precursoras do câncer do colo do útero é feito através do exame citopatológico (exame preventivo de Papanicolau, que pode ser realizado apenas em meninas não virgens). Se a menina for virgem, o HPV externo (verrugas) é diagnosticado pelo médico sem dificuldades.

Mas, para se ter certeza sobre o contágio, exames laboratoriais de diagnóstico molecular, como o teste de captura híbrida e o PCR, devem ser solicitados, bem como uma biópsia da região suspeita.

Tratar e, o mais importante: prevenir!

Diversos tipos de tratamento podem ser oferecidos para as verrugas, desde o tratamento tópico (elas são cauterizadas com ácido), com laser e até a retirada cirúrgica. Só o médico, após a avaliação de cada caso, pode recomendar a conduta mais adequada, dependendo da apresentação e da gravidade das lesões.

Em alguns casos de HPV em colo de útero pode ser realizada apenas a cauterização no local. Foi a esse tratamento que a estudante Diana Santos de Almeida, 16 anos, precisou se submeter. “Descobri que eu tinha HPV no ano passado, quando fui pela primeira vez ao ginecologista. Minha médica pediu alguns exames e, neles, constava a presença de uma infecção. Ela me explicou que poderia ser HPV e me pediu para refazer um exame, que confirmou a presença da doença. Então, iniciei de imediato a cauterização do colo uterino. Nunca tive verrugas, mas sim manchas no colo”, conta Diana.

“A cauterização dói muito! Fiz apenas uma vez, mas tive que voltar à ginecologista em diversas outras ocasiões para acompanhar a cicatrização. Aí, a médica me pediu para retornar seis meses depois ao consultório. Voltei e não havia mais nenhuma mancha no meu útero, nem outro sinal de infecção. Ainda assim, daqui a três meses farei alguns exames para ter a certeza de que estou livre do HPV”, diz Diana.

A duração do tratamento depende, na verdade, da extensão do contágio e da força da doença em cada organismo. No caso de Diana, até que o tratamento não foi tão longo – ela precisou passar pela tortura da cauterização apenas uma vez. Mas, ainda assim, foi uma experiência, segundo ela, horrível. A lição que Diana aprendeu? “Transar sem camisinha, nunca mais!”, garante.

A vacina

Hoje, já podemos contar com a vacina para a prevenção do HPV, que nos protege, no entanto, apenas contra quatro subtipos de vírus (6, 11, 16 e 18, sendo esses dois últimos associados ao câncer de colo uterino). A vacina funciona estimulando a produção de anticorpos específicos para cada um desses quatro tipos de vírus. A aplicação pode ser feita apenas em clínicas especializadas, uma vez que a vacina ainda não está disponível na rede pública de saúde.

Segundo Maria Cristina Senna, diretora médica da NeoVacinas, no Rio de Janeiro, a aplicação é bem simples e consiste em três doses com pequenos intervalos, que dependem da marca da vacina.

Por enquanto, a Anvisa liberou a vacinação apenas para mulheres entre nove a 26 anos de idade. Isso porque as únicas pesquisas aprovadas até agora foram realizadas com mulheres dessa faixa etária. “Mas há, também, estudos em andamento para o uso da vacina em indivíduos do sexo masculino”, afirma Maria Cristina Senna.

Contra-indicações da vacina

- Gestantes.
- Pessoas com alergia a alumínio.
- Pessoas que estejam usando medicamentos imunossupressores, ou seja, que deixam o sistema imunológico mais fraco.
- Pessoas que estejam com quadro de febre.

Ainda assim, não se esqueça: camisinha sempre!



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