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Alícia Baptista | 27/03/2009
Se há algum tempo a cirurgia plástica era procurada principalmente por mulheres adultas que queriam parecer mais jovens e resgatar um corpinho de menina, hoje são as adolescentes e jovens que recorrem à sala de cirurgia com frequencia para ficarem cada vez mais belas. Colocar silicone, fazer uma lipo, retirar gordurinhas daqui e dali são o sonho de muitas garotas. Mas, afinal, tem idade certa para fazer plástica? Conheça a história de algumas jovens que se renderam aos encantos prometidos por essas técnicas e veja quando vale a pena - ou não - optar pela cirurgia.Gabriela Pastore, 22 anos, não estava satisfeita com o tamanho dos seus seios: "Sempre que ia comprar um vestido ou uma blusa decotada, eu ficava muito frustrada e acabava não comprando", conta ela, que decidiu, então, dar uma turbinada nos seios com próteses de 215 ml de silicone. "Fiz a cirurgia com 17 anos e fiquei muito satisfeita com o resultado. Perdi completamente o complexo e passei a me sentir ótima com decotes, sem precisar de sutiã de enchimento", comemora. Sem dúvida, colocar silicone virou moda. Basta ligarmos a TV para percebermos que o número de celebridades turbinadas é cada vez maior. Mas, enquanto umas querem aumentar, outras (acreditem!) querem diminuir. Foi o caso de Marina Lemos*, 21 anos, que, aos 19, fez uma cirurgia para reduzir o tamanho dos seios. "Eles eram muito grandes e faziam com que eu aparentasse ter mais quilos do que eu realmente tinha. Além disso, estava começando a ter problema na coluna", revela. Fernanda Gurjão, 22, também quis reduzir os seios, mas foi desaconselhada pelo médico. "Desde os 18 anos, havia uma diferença notável entre o meu seio esquerdo e o direito. Foi aí que eu decidi procurar um cirurgião plástico. Ele compreendeu minha preocupação, mas achou que não havia necessidade de cirurgia e avisou que eu poderia me decepcionar, pois ganharia cicatrizes ao invés de um decote perfeito", conta Fernanda. De acordo com Pedro Faveret, membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, a cirurgia de redução do tamanho dos seios é uma das mais procuradas pelas jovens tanto por estética quanto com fins reparadores. "Mas o ideal é que meninas com seios muito grandes esperem chegar pelo menos aos 18 anos para operar, pois nessa idade a mama feminina está terminando o seu processo de amadurecimento", alerta o cirurgião. No caso de cirurgias de inclusão de próteses mamárias e lipoaspiração, o médico aconselha esperar até os 20 anos, quando o corpo já está totalmente formado. Mas a verdade é que, em qualquer idade, a lipoaspiração é considerada uma cirurgia bastante arriscada. Quem não se lembra do caso do vocalista do grupo LS Jack, Marcus Menna, que, em 2004, ficou em coma depois de sofrer complicações durante a cirurgia? Mesmo assim, Taciane Macedo, hoje com 20 anos, recorreu a vários procedimentos cirúrgicos há alguns meses, quando tinha 19. "Fiz lipoaspiração no abdômen, nos flancos, no culote e na parte interna da coxa. Além disso, preenchi um furinho que eu tinha no glúteo direito", conta a jovem, que garante que não teve medo de possíveis sequelas e cicatrizes. "O único medo que tive foi que a operação não retirasse todas as minhas gorduras, que o resultado não fosse o que eu esperava. Mas a cirurgia foi ótima! Eu acho arriscado operar quando não procuramos um profissional responsável e de confiança", opina. Por isso, Taciane garante que não se arrependeu e que amou o resultado. "Foi o melhor investimento que eu já fiz. Tinha vergonha de sair de casa, mas agora tenho ânimo para tudo. Acho que nem precisarei de retoque, está tudo perfeito. Mas, claro, desde que fiz a lipo estou malhando e fazendo dieta com a orientação de uma nutricionista para não voltar a engordar", conta ela. Como a lipoaspiração se trata de uma cirurgia que envolve muitos riscos, o cirurgião Pedro Faveret faz um alerta: "Ela deve ser feita para a remoção de gordura localizada, sendo contra-indicada como tratamento para a obesidade". Outra cirurgia bastante comum é a que corrige as orelhas de abano e que, segundo o cirurgião, pode ser feita a partir dos seis anos de idade, quando a orelha termina o seu processo de crescimento, só voltando a crescer novamente na velhice. Amanda Vasques, 24 anos, recorreu a essa técnica aos 17 anos. Ela conta que optou pela cirurgia porque as orelhas realmente a incomodavam, gerando inclusive piadinhas dos amigos. "Faziam brincadeiras, me chamavam de Dumbo e pediam para eu não voar. Mas, apesar de as orelhas de abano me incomodarem desde pequena, eu nunca tinha tido coragem de encarar uma cirurgia. A partir dos 15 anos, no entanto, as brincadeiras na escola começaram a me chatear e eu passei a querer corrigi-las". Mesmo tendo tido um upgrade na auto-estima, Amanda conta que ainda sente algumas dores sete anos após a operação. "Não posso bater com a orelha ou dormir em uma posição ruim. Mesmo assim, considero que são coisas pequenas perto de todo o bem-estar que sinto. Poder tomar banho de piscina e prender o cabelo na academia sem complexo são coisas que têm seu devido valor”, garante. É por essa e outras sequelas que o médico Pedro Faveret alerta para alguns riscos de qualquer procedimento cirúrgico, tais como infecção, sangramento, hematoma, rompimento dos pontos, cicatrizes de má qualidade, etc. "Toda cirurgia envolve riscos à saúde", avisa o cirurgião. Apesar de ter optado pela cirurgia para reduzir os seios, Marina Lemos* reconhece esses riscos e diz que pensaria muito antes de encarar outra. "Acho a cirurgia importante quando é em caso de saúde ou quando é algo que abala a auto-estima ou influencia em atividades do dia-a-dia", opina. Gabriela Pastore, que colocou silicone, concorda: "Há meninas que fazem cirurgia muito novas sem necessidade. Eu acho que a cirurgia plástica tem que ser vista como a última opção", opina a jovem. E, para as meninas que sonham em fazer uma cirurgia para corrigir seus defeitos, o cirurgião Pedro Faveret tem um último recado: "Reflitam muito antes de optarem por uma cirurgia, pois a adolescência é passageira, é uma fase onde consolidamos nossa confiança, a auto-estima e temos uma auto-percepção da imagem corporal que certamente vai mudar com a passagem para a vida adulta. Já a cirurgia plástica é algo que fica para sempre".
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