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Cecilia Flesh | 01/07/2009
Quem passa a infância assistindo “Branca de Neve e os Sete Anões” ou “Cinderela” simplesmente não consegue imaginar uma madrasta boazinha. A história de que todas são malvadas já virou clichê – uma “nova mãe” não pode ser boa coisa. Afinal, não é sua mãe. Mas sabemos que, nem para o bem, nem para o mal, a vida é sempre um conto de fadas. E, hoje em dia, com tantos casais separados, sobram madrastas e enteadas dispostas a se darem bem. Para início de conversa: o “ma”, de madrasta, nada tem a ver com maldade. A palavra vem do latim “matrastra”, que quer dizer simplesmente “mulher do pai”. E por que não se dar bem com ela? Nina Pantoja, 13 anos, é um exemplo de enteada que enche a boca para dizer: “Minha madrasta é o máximo!”. Melhores amigas A madrasta, Samantha Mendes, 36 anos, é a grande aliada de Nina quando o assunto é o veto do pai para alguma coisa. “Sempre que estou com problemas que envolvem meu pai , pergunto a opinião dela. E, se ele não me deixa fazer alguma coisa, ela sempre tenta convencê-lo do contrário, explica que já sou grande o suficiente para ir ao shopping com as minhas amigas, por exemplo”, conta Nina. Outro detalhe legal da relação das duas é o gosto parecido para certas coisas. “Nós duas adoramos bolsas e roupas de grife! Volta e meia a Samantha me empresta algumas peças. A gente também adora o mesmo estilo de música. Então, sempre que estamos com meu pai no carro e ele põe as músicas velhas dele para tocar, nós duas começamos a brigar com ele para ouvirmos Beyoncé, Shakira e Akon”, diverte-se Nina. Nina e a madrasta: superamigas (Arquivo Pessoal) A psicóloga Carolina Homem chama a atenção para a relação de confiança e de harmonia que deve haver entre madrasta e enteada. “Se a madrasta ocupar o papel de mulher rígida, implicante, de detentora da atenção do pai, tudo vai para o buraco. É preciso que ela saiba ser maleável, alguém que desperte o interesse dos filhos”, explica a psicóloga. “Boadrasta” Assim era Valéria Cruz, madrasta de Carolina Menescal, 25 anos. Foram quase 20 anos de convivência e de uma grande amizade, até que Valéria faleceu em um acidente aéreo. “Como ela não teve filhos, sempre cuidou e amou minha irmã e eu como se fôssemos filhas dela. Ela sempre se dedicou muito a mimar a gente e nos queria sempre por perto. Acho que a nossa relação sempre foi muito próxima, verdadeira e sincera. Ela odiava a palavra 'madrasta', achava pesada, negativa. Então, nós costumávamos chamá-la de 'boadrasta'. Eu até me abria mais com ela do que com meu pai”, relembra Carolina. Os cuidados que Carolina Menescal recebia de Valéria incluíam brincadeiras e companheirismo. “Quando eu era pequena, ela brincava de boneca comigo e me arrumava para todas as festinhas. Depois, quando virei adolescente e passava os fins de semana com ela e com meu pai, as amigas pediam para se arrumar lá em casa, pra ela maquiar todo mundo!”, conta Carolina. A afinidade era tão grande que as semelhanças ficavam claras: ambas tinham temperamento forte, eram vaidosas e detalhistas. “Quando eu era criança, meu pai dizia que eu era 'Valéria futebol clube', porque eu sempre a defendia”, relembra Carol. Mãe x madrasta Outro ponto importante é o bom relacionamento entre a madrasta e a mãe de verdade. “Infelizmente, ainda não são todas as mães que conseguem lidar bem com essa outra mulher que cuida dos filhos. Se não há afinidades, é importante que a mãe ao menos respeite o direito dos filhos de se entenderem com as madrastas e não interfiram de forma negativa”, ressalta a psicóloga. A gente viu aqui bons exemplos de como é possível – e como pode ser inesquecível – uma boa relação com a madrasta. Ela pode ser uma grande aliada, desde que você esteja disposta a aceitá-la. Mãe é mãe, pai é pai e madrasta tem tudo para ser uma grande amiga, quem sabe até uma segunda mãe. Só depende de você!
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