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Cecilia Flesh | 25/06/2009
Diz o ditado: amigos, amigos, negócios à parte. Entre as garotas deveria ser: amigas, amigas, meninos à parte. Há quem diga que amizade de mulher dura até o momento em que aparece um homem entre as duas. Será? Roberta e Fernanda*. Duas amigas de 24 anos, inseparáveis. Trabalhavam juntas, saíam juntas, dividiam segredos e vontades. Bernardo e Pedro* também eram amigos. Em uma noite, o grupo das meninas se encontrou com o grupo dos meninos. Roberta ficou com Pedro e Fernanda, com Bernardo. O tempo passou, Roberta não viu mais o Pedro, se afastou um pouco da Fernanda, que deu a entender que não era tão a fim do Bernardo. O problema é que o inesperado aconteceu. Um dia, em uma festa, Bernardo, sabe-se lá por que, foi atrás da Roberta. O circo estava armado. Roberta pediu autorização para Fernanda: "Posso sair com ele?". A amiga, surpreendentemente, disse que não. "Foi ela quem dispensou o Bê, não atendia mais as ligações dele... Nunca pareceu que ele tinha tanta importância assim para ela", diz Roberta. Mas Fernanda se importou. E muito. A simpatia e o rostinho bonito do Bernardo foram irresistíveis para Roberta. "Eu neguei algumas vezes, mas ele insistiu. Quando eu percebi, já estava envolvida e acabei ficando com ele", conta. Só que escondido... Quando Fernanda descobriu, não hesitou em cortar relações. "O pior é que o corte veio por mensagem. Eu não tive nem como argumentar", lembra Roberta. Ela nunca achou que a decisão de ficar com Bernardo - meses depois de o rolo da amiga terminar - acabaria com a amizade das duas. "Fiquei muito triste por ela parar de falar comigo por causa de um carinha de quem ela nem era mais a fim", explica Roberta. Pouco mais de dois meses depois, ela fez uma última tentativa de acerto de contas. "Mandei um e-mail para a Fê dizendo tudo o que eu achava. No dia seguinte, ela deixou um chocolate na minha mesa. Era o sinal de que tinha aceitado o meu pedido de desculpas", relembra. O relacionamento com Bernardo não foi para frente, mas, pelo menos, Roberta conseguiu recuperar a amizade. Só que nem sempre essas histórias têm finais felizes. Paloma Pereira, 19 anos, e Renata Silvia, 21 anos, passaram por uma situação bem parecida. No entanto, nunca mais se falaram. A diferença era que o menino era alvo das duas, mas apenas uma delas sabia que estava "disputando" a atenção dele. "Se ele me ligava, eu contava para a Paloma, toda empolgada. Daí, ela ligava para ele e o chamava para sair, sem eu saber. No fundo, ele queria qualquer uma das duas. A que ficasse mais fácil seria melhor", diz Renata, que acrescenta: "O cara foi o estopim da briga, mas o fim da nossa amizade aconteceu por falta de confiança. Ela fez tudo pelas minhas costas, não conseguiria confiar nela de novo". Paloma não gosta de falar sobre o assunto. Apenas diz o seguinte: "Eu não costumo me arrepender do que eu faço. Prefiro me arrepender de algo que fiz do que de algo que não fiz. Só que, nesse caso, se eu pudesse voltar atrás, eu voltaria e não faria de novo o que fiz. Acabei sem ele e sem a minha amiga. Mas como eu ia saber que ia terminar assim?", explica Paloma. Quando duas mulheres brigam por causa de um cara, o problema, geralmente, não é ele, afirma a psicóloga Carolina Homem: "Em casos em que se disputa alguma coisa, seja um homem, um emprego, ou qualquer outra coisa, o que fica em jogo é a honestidade e a confiança de ambos os lados. O grande problema é que uma das partes sempre se sente traída ou deixada de lado", explica a psicóloga. Mas, afinal de contas, devemos priorizar a amizade ou a paixão? Tudo bem, a paixão costuma ser algo incontrolável e inexplicável. Não funciona como um botão de "liga/desliga". No entanto, a psicóloga alerta: “É preciso observar se essa paixão é mesmo algo recíproco, algo em que vale a pena investir, ou se simplesmente é uma 'paixonite aguda'”. Por via das dúvidas, o melhor é garantir o que é certo. "Se duas amigas gostam do mesmo menino, só existe uma coisa que pode resolver o problema: uma boa conversa. E isso só é possível em uma amizade verdadeira”, afirma a psicóloga Carolina Homem, que garante: “Se você chegar à conclusão de que o que você sente pelo menino for apenas fogo de palha, deixa para lá, esquece o cara. Não vale a pena trocar o certo - a amizade - pelo incerto, a paixão. A chance de se arrepender é muito grande". *Os nomes foram alterados a pedido das entrevistadas.
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